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Santa Missa do Crisma, celebrando a Unidade da Fé

A Solene Liturgia da Santa Missa do Crisma, também conhecida como Cerimônia da Unidade, destaca-se como um dos eventos mais marcantes da Semana Santa. Comumente celebrada na Quinta-feira Santa, a Missa do Crisma destina-se a reunir todo o clero da diocese, não apenas para renovar as promessas sacerdotais, mas também para consagrar e abençoar os Santos Óleos destinados ao uso nos sacramentos ao longo do ano litúrgico. A missa do Crisma é considerada uma das principais manifestações da plenitude do sacerdócio do Bispo, de quem deriva e depende, de algum modo, a vida de seus fiéis (SC, n.41). Em algumas dioceses, por necessidade pastoral, o bispo pode celebrar em outro dia da Quaresma.

Nesse sentido, nossa Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia sempre a realiza na semana em que acontece o retiro do clero, comumente na quinta-feira. Dessa vez, a celebração em questão aconteceu na Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Redenção, no dia 14 de março (semana passada), com a presença de sacerdotes, diáconos transitórios, seminaristas, religiosos e religiosas, consagradas, e os demais membros do povo de Deus. Na ocasião, os padres, diante de Dom Dominique, também renovaram suas promessas sacerdotais, aquelas proferidas por eles no dia de suas ordenações presbiterais.

A renovação das promessas sacerdotais não apenas reitera o compromisso para com o ministério pastoral, mas também está intimamente ligada à nobre vocação do presbítero, que, em unidade com o bispo, é convocado a ser um canal de graça e salvação para todos os que necessitam.

Um dos ritos de maior significância durante a Santa Missa do Crisma consiste na bênção dos Santos Óleos. Nas Sagradas Escrituras do Antigo Testamento, o óleo era usado na consagração dos altares, sacerdotes, profetas e reis. Já no Novo Testamento, é figurado como um símbolo de honra aos convidados, como se vê no relato de Maria Madalena (Lc 7, 46), e até mesmo como um meio de cura aos enfermos (Mc 6, 13). No rito sagrado da liturgia romana, os óleos desempenham um papel indispensável na administração dos Sacramentos. Assim, requerem ser abençoados ou consagrados recentemente pelo Bispo (cânon 847).

O Óleo do Crisma, ao contrário do Óleo dos Enfermos e dos Catecúmenos, é o único que será consagrado, o que significa que a pessoa ungida com este óleo também é consagrada. No batismo, o neo-batizado recebe a unção na cabeça, para que participe da missão do Cristo, sacerdote, profeta e rei. Com efeito, os que renasceram pelo Batismo agora recebem, através do Crisma, o Dom inefável de Deus, o próprio Espírito Santo, pelo qual são vinculados mais perfeitamente à Igreja. “Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas” (At 1, 8).

Na ordenação presbiteral, o sacerdote recebe a unção nas mãos, consagrando-as para igualmente consagrar a Eucaristia e agir em nome de Cristo para o bem do seu povo. Na ordenação episcopal, o bispo recebe a unção na cabeça, simbolizando a graça que o configura como Cristo-Cabeça da comunidade. Também no rito da Dedicação, o altar e as paredes da igreja são ungidos com o Crisma, simbolizando que aquele local fica consagrado para sempre ao culto divino.

Considerando a importância desse óleo para a vida sacramental da Igreja, ele é composto por uma porção de óleo de oliva e outra de bálsamo perfumado (mirra), simbolizando o suave odor de Cristo que é exalado por aqueles que se consagram ao Seu serviço.

Ademais, o Óleo dos Catecúmenos, utilizado no rito de iniciação à vida cristã, Batismo, concede aos iniciantes um sinal de preparação espiritual e proteção contra as adversidades malignas. Por conseguinte, este óleo confere a coragem e a força necessárias para iniciar uma vida nova em Cristo.

Por sua vez, o Óleo dos Enfermos é reservado exclusivamente para o sacramento da Unção dos Enfermos, tendo por objetivo proporcionar alívio espiritual e conforto aos enfermos e àqueles que enfrentam fragilidades na saúde devido à avançada idade. Este óleo não se destina meramente à cura física, mas sim, representa uma sensível presença confortadora de Cristo nos momentos de fragilidade e aflição. “Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o confortará, e, se tiver pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5, 14-15).

A solene bênção e consagração dos Santos Óleos durante a Santa Missa do Crisma deve ressoar em nossos corações como uma poderosa riqueza espiritual da tradição da Igreja, bem como da magnitude dos sacramentos como canal de salvação. Sendo assim, esta celebração não apenas reúne o clero e as comunidades, mas também renova o compromisso de todos os fiéis com a missão evangelizadora da Igreja, buscando uma Igreja em saída e plena do Espírito Santo, como nos exorta o Papa Francisco (2013), “o Espírito Santo faz-nos entrar no mistério do Deus vivo e salva-nos do perigo de uma Igreja gnóstica e de uma Igreja narcisista, fechada no seu recinto; impele-nos a abrir as portas e sair para anunciar e testemunhar a vida boa do Evangelho, para comunicar a alegria da fé, do encontro com Cristo.”

Que a Santa Missa do Crisma continue a ser uma inesgotável fonte de bênçãos para todos os que dela participam, fortalecendo os laços de fraternidade entre as comunidades eclesiais e capacitando-as a serem verdadeiras testemunhas do amor de Cristo no mundo.

Texto: Diác. Bruce Willis

Fotos: Pascom da Paróquia Cristo Redentor-Redenção

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